Gêmeos passam por transplante de medula óssea para tratar doença rara

Os gêmeos Samuel e Daniel nasceram em Brejo Santo, município do interior do Ceará, no Nordeste brasileiro. Quando completaram um ano, começaram a apresentar diversos quadros infecciosos: pneumonias, diarreias, sangramentos no nariz e às vezes nas fezes. Quadros que levaram os médicos da pequena cidade a investigarem por um ano até chegarem ao diagnóstico: uma doença genética rara que se manifesta apenas em meninos: a síndrome de Wiskott-Aldrich.

O tratamento indicado para os meninos, então com dois anos de idade, era o transplante de medula óssea. Foi quando a família começou a sua luta para conseguir um doador e um centro médico qualificado para realizar o tratamento. Um ano depois, quando os gêmeos já tinham completado três anos, Samuel e Daniel viajaram mais de 3 mil quilômetros até chegar no Hospital Pequeno Príncipe para iniciar o tratamento.

Não demorou e logo um doador foi localizado em Minas Gerais, distante outros mil quilômetros de Curitiba, onde está o Pequeno Príncipe. No dia 30 de junho de 2017, o transplante foi realizado. E pela primeira vez, desde que nasceram, Samuel e Daniel tiveram que ficar separados. Cada um em um quarto, por mais de 30 dias, para garantir o sucesso do tratamento.

Mas o isolamento e a dedicação da mãe e da tia, que se revezaram nos cuidados, ao lado de toda a equipe do Pequeno Príncipe, foram recompensados. No momento, os gêmeos apresentam uma excelente recuperação. Já receberam alta do Hospital e estão na Casa de Apoio, aguardando o melhor momento para voltar a sua cidade natal. “Agradeço a Deus e peço que ele proteja esse doador e toda sua família, pois com uma única doação ele salvou meus dois filhos”, agradece Suzete da Silva Alves.

Como a doação é sigilosa, o doador ainda não conhece a história das vidas que transformou. Pela legislação brasileira, é necessário esperar um ano para, então, consultar a família do doador e do receptor sobre o desejo de revelar suas identidades.