Resposta à COVID-19

O Hospital Pequeno Príncipe iniciou a sua preparação para o enfrentamento do coronavírus (COVID-19) em janeiro. Enquanto as equipes de saúde se desdobravam no planejamento de novos protocolos e medidas de prevenção, proteção e assistência aos pacientes e aos colaboradores, a equipe administrativa começava a sentir o impacto logístico e financeiro da pandemia, com a escassez e a elevada alta de preços de equipamentos de proteção individual (EPIs), insumos, materiais e medicamentos necessários para esse enfrentamento, alguns ultrapassando os 4.000%.

As ações do Pequeno Príncipe foram estruturadas em quatro eixos: proteção, prevenção, assistência e pesquisa.

Proteção, prevenção e assistência
Nos eixos de proteção e prevenção, foram adotadas medidas como a suspensão temporária de atividades de educação, voluntariado, visitas e eventos, evitando o aumento de circulação de pessoas dentro do Hospital. Os colaboradores foram orientados a não fazer reuniões presenciais para evitar aglomerações. O uso do álcool em gel e demais equipamentos de proteção foi intensificado. As consultas e as cirurgias eletivas (que não são de urgência) foram temporariamente adiadas, com o objetivo de também reduzir o fluxo de pessoas dentro da instituição.

Com relação aos atendimentos, o Pequeno Príncipe se estruturou destinando uma UTI com dez leitos exclusivos para os pacientes com COVID-19. Além disso, um andar de internação, com 24 quartos, que podem receber até dois leitos, totalizando 48 vagas, também foi destinado exclusivamente aos pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19. Até o fim do mês de julho, o Pequeno Príncipe atendeu 380 crianças e adolescentes com suspeita de COVID-19, sendo que 56 foram confirmados. Clique aqui para acompanhar o Boletim COVID-19 atualizado.

Para as diversas equipes que estão na linha de frente, desde seguranças e recepcionistas até enfermeiros e médicos, foram oferecidas centenas de horas de capacitação, reforçando as boas práticas para evitar a propagação do vírus, ensinar o autocuidado e acolher e esclarecer dúvidas em cada um dos setores do Hospital.

Para agilizar a confirmação dos diagnósticos com segurança, o Laboratório Genômico do Pequeno Príncipe – que teve parte dos recursos para a sua implantação arrecada por meio do Gala Pequeno Príncipe – passou a fazer os exames de RT-PCR. Os exames sorológicos e o Teste Rápido, por sua vez, são realizados no Laboratório de Análises Clínicas. Os exames de imagem que a instituição realiza também completam as avaliações e o acompanhamento dos pacientes.

Além de atender os casos de COVID-19, o Hospital continua oferecendo cuidados nas suas 32 especialidades. Para isso, foram criadas fluxos de atendimento que separam os pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por coronavírus (SARS-CoV-2) dos demais, garantindo, assim, a segurança de todos.

Aumento de custos e déficit anual
Considerando 16 itens dentre os que estão na lista dos mais utilizados no atendimento a pacientes com coronavírus (suspeitos ou confirmados), o Hospital Pequeno Príncipe costumava gastar cerca de R$ 65 mil por mês. Com a elevação dos preços e o aumento do consumo nos primeiros meses da pandemia, o gasto mensal quase triplicou, superando os R$ 170 mil.

Alguns equipamentos de proteção individual, como as máscaras N95, por exemplo, tiveram seu preço aumentado em quase 11 vezes, passando de R$ 1,75 para R$ 19,90. O consumo também aumentou muito, passando de 90 para mil unidades por mês.

Confira na tabela outros itens que tiveram hipervalorização e aumento de consumo:

Também foi necessário fazer contratações de pessoal para repor os cerca de 100 colaboradores que foram afastados por pertencer ao grupo de risco. Até o final de julho, outros 156 colaboradores foram afastados por se infectarem com o coronavírus, visto que a pandemia se encontra em fase de transmissão comunitária.

O aumento de preços e do consumo de materiais, a necessidade de reforço nas equipes e a suspensão temporária das consultas e cirurgias eletivas deve deixar um déficit de aproximadamente R$ 20 milhões ao Pequeno Príncipe, que se somará aos déficits já anuais de cerca de R$ 44 milhões ocasionados pelo subfinanciamento da área de saúde e ausência de incentivos financeiros às pesquisas no Brasil. 

Pesquisas
Um dos grandes desafios da atual crise sanitária é entender o funcionamento do novo coronavírus. As equipes de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe estão empenhadas em contribuir com o conhecimento mundial acerca do SARS-CoV-2, envolvendo-se em diferentes linhas de pesquisa, que necessitam de investimentos de cerca de R$ 7,6 milhões, e que certamente trarão conhecimentos significativos para o avanço do entendimento da nova doença.

Este conhecimento vai permitir que os pacientes infectados recebam diagnóstico precoce, tratamento adequado e cuidados com as possíveis sequelas deixadas pela infecção. Uma das possibilidades de tratamento para casos graves está em estudo no Instituto de Pesquisa, com o desenvolvimento de anticorpos produzidos em cavalos, que posteriormente são transformados em um tratamento que promove a imunização passiva dos doentes graves. As vacinas e a imunização passiva para aqueles que já estão infectados são a grande esperança para uma proteção eficaz contra a COVID-19 e para o tratamento dos casos graves.

Outro grupo de pesquisadores integra projeto “COVID Human Genetic Effort”, um o esforço mundial de cientistas que investigam a relação entre a COVID-19 e questões genéticas. Há também estudos que propõem novos tratamentos com o uso de células-tronco, testes diagnósticos mais acessíveis e também o acompanhamento pós-infecção, para identificar e oferecer tratamento a possíveis sequelas neurológicas. Além disso, estão em estudo os desdobramentos da Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que tem acometido crianças em todo o mundo.

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