Resposta à COVID-19

O Hospital Pequeno Príncipe entrou no segundo ano da pandemia do coronavírus num momento em que os números de contaminados no Brasil apresentaram uma explosão. Com as novas cepas do SARS-CoV-2, muito mais contagiantes, e com o ritmo lento da campanha de vacinação no país, os sistemas de saúde público e privado colapsaram. Para atender adultos faltaram leitos de internamento e de UTI, medicamentos para intubação e até mesmo oxigênio. Na pediatria, o aumento também foi sentido. No Hospital Pequeno Príncipe, o número médio de casos confirmados em 2020 foi de 31 por mês. Já nos primeiros cinco meses de 2021, o total saltou para 120: um crescimento de cerca de 380%.

O Hospital Pequeno Príncipe iniciou a sua preparação para o enfrentamento do coronavírus (COVID-19) em janeiro de 2020. Enquanto as equipes de saúde se desdobravam no planejamento de novos protocolos e medidas de prevenção, proteção e assistência aos pacientes e aos colaboradores, a equipe administrativa começava a sentir o impacto logístico e financeiro da pandemia, com a escassez e a elevada alta de preços de equipamentos de proteção individual (EPIs), insumos, materiais e medicamentos necessários para esse enfrentamento, alguns ultrapassando os 4.000%.

As ações do Pequeno Príncipe foram estruturadas em quatro eixos: proteção, prevenção, assistência e pesquisa.

Proteção, prevenção e assistência
Nos eixos de proteção e prevenção, foram adotadas medidas como a suspensão temporária de atividades de educação, voluntariado, visitas e eventos, evitando o aumento de circulação de pessoas dentro do Hospital. Os colaboradores foram orientados a não fazer reuniões presenciais para evitar aglomerações. O uso do álcool em gel e dos demais equipamentos de proteção foi intensificado. As consultas e as cirurgias eletivas (que não são de urgência) foram temporariamente adiadas, com o objetivo de também reduzir o fluxo de pessoas dentro da instituição.

Com relação aos atendimentos, o Pequeno Príncipe se estruturou destinando uma UTI com dez leitos exclusivos para os pacientes com COVID-19. Além disso, um andar de internamento, com 24 quartos, que podem receber até dois leitos, totalizando 48 vagas, também foi destinado exclusivamente aos pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19.

Do início da pandemia até o fim do mês de maio de 2021, o Pequeno Príncipe atendeu 4.266 crianças e adolescentes com suspeita de COVID-19, sendo que 910 foram confirmados. Clique aqui para acompanhar o Boletim COVID-19 atualizado.

Para as diversas equipes que estão na linha de frente, desde seguranças e recepcionistas até enfermeiros e médicos, foram oferecidas centenas de horas de capacitação, reforçando as boas práticas para evitar a propagação do vírus, ensinar o autocuidado e acolher e esclarecer dúvidas em cada um dos setores do Hospital.

Para agilizar a confirmação dos diagnósticos com segurança, o Laboratório Genômico do Pequeno Príncipe – que teve parte dos recursos para a sua implantação arrecadada por meio do Gala Pequeno Príncipe – passou a fazer os exames de RT-PCR. Os exames sorológicos e o teste rápido, por sua vez, são realizados no Laboratório de Análises Clínicas. Os exames de imagem que a instituição realiza também completam as avaliações e o acompanhamento dos pacientes.

Além de atender aos casos de COVID-19, o Hospital continua oferecendo cuidados nas suas 32 especialidades. Para isso, foram criados fluxos de atendimento que separam os pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por coronavírus (SARS-CoV-2) dos demais, garantindo assim a segurança de todos.

Impacto financeiro
Considerando 16 itens entre os que estão na lista dos mais utilizados no atendimento a pacientes com coronavírus (suspeitos ou confirmados), o Hospital Pequeno Príncipe costumava gastar cerca de R$ 65 mil por mês. Com a elevação dos preços e o aumento do consumo na pandemia, o gasto mensal quase triplicou, superando os R$ 170 mil.

Alguns equipamentos de proteção individual, como as máscaras N95, por exemplo, tiveram seu preço aumentado em quase 11 vezes, passando de R$ 1,75 para R$ 19,90. O consumo também aumentou muito, passando de 90 para mil unidades por mês.

Confira na tabela outros itens que tiveram hipervalorização e aumento de consumo:

Com a suspensão temporária das consultas, internamentos e cirurgias eletivas (aquelas que não são de urgência), o Pequeno Príncipe registrou uma grande queda nos atendimentos em 2020. O número de atendimentos ambulatoriais caiu 44% em comparação com o total do ano anterior; os internamentos, 43%. As cirurgias diminuíram 40%.

Com essas reduções completamente atípicas, as receitas do Hospital também caíram. A de convênios recuou 20%, enquanto as receitas totais tiveram uma redução de 6%. O déficit anual chegou a R$ 37,5 milhões, considerando as atividades de assistência e de pesquisa. Algumas medidas foram fundamentais para evitar um déficit ainda maior, que comprometesse a saúde financeira da instituição.

A primeira delas foi uma iniciativa política, liderada pelo deputado Pedro Westphalen, do Rio Grande do Sul, que conseguiu aprovar um decreto autorizando o pagamento dos hospitais que prestam serviços para o SUS, baseado na média de atendimentos feitos nos anos anteriores. Com isso, as receitas do SUS se mantiveram no mesmo patamar.

A segunda medida foi o apoio da comunidade. O projeto do Hospital Pequeno Príncipe de enfrentamento ao coronavírus captou cerca de R$ 10 milhões e ajudou a enfrentar o déficit específico provocado pela pandemia.

Pesquisas
Um dos grandes desafios da atual crise sanitária é entender o funcionamento do novo coronavírus. Os cientistas do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe estão empenhados em contribuir com o conhecimento mundial acerca do SARS-CoV-2, desenvolvendo 17 projetos voltados para esse tema. São estudos sobre diagnóstico, tratamento, fisiopatologia e/ou busca de outros conhecimentos sobre as manifestações clínicas da doença, síndromes associadas e sequelas causadas pelo SARS-CoV-2. Cinco deles estão ligados à assistência.

Uma das possibilidades para tratar casos graves está em estudo no Instituto de Pesquisa, com o desenvolvimento de anticorpos produzidos em cavalos, que posteriormente são transformados em um tratamento que promove a imunização passiva dos doentes graves. As vacinas e a imunização passiva para aqueles que já estão infectados são a grande esperança para uma proteção eficaz contra a COVID-19 e para o tratamento dos casos graves.

Outro grupo de pesquisadores integra o projeto COVID Human Genetic Effort, um o esforço mundial de cientistas que investigam a relação entre a COVID-19 e questões genéticas. Há também estudos que propõem testes diagnósticos mais acessíveis e o acompanhamento pós-infecção, para identificar e oferecer tratamento a possíveis sequelas neurológicas. Além disso, estão em estudo os desdobramentos da Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que tem acometido crianças em todo o mundo.

Para conhecer mais sobre as pesquisas relacionadas à COVID-19 em desenvolvimento, clique aqui.

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