Especialista da Universidade de Columbia aponta consequências da violência no desenvolvimento infantil

A professora Cristiane Duarte, da Divisão de Psiquiatria da Criança e do Adolescente da Universidade Columbia (EUA), estuda o impacto da violência no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. Segundo ela, meninos e meninas que são submetidos a eventos adversos, como a violência, têm, inclusive, uma expectativa de vida menor. “Enquanto a expectativa de vida entre os que não passam por eventos adversos é de 80 anos, para as crianças que sofrem esses eventos é de 60”, explicou durante palestra na segunda edição do fórum Exploração Sexual Infantil, realizado pelo jornal Folha de S.Paulo. Além disso, elas têm seu desenvolvimento cerebral afetado e estão mais sujeitas a ter problemas de saúde e comportamentais, como obesidade, diabetes, depressão, alcoolismo, envolvimento com cigarro e outras drogas.

“Um estudo feito com crianças romenas vítimas da guerra mostra que quando inseridas em um ambiente familiar de alta qualidade, do ponto de vista das suas conexões cerebrais, elas foram capazes de se desenvolver de forma praticamente igual àquelas que não haviam sofrido nenhum evento adverso. Porém, esta inserção aconteceu antes de completarem dois anos de vida. Isto nos mostra que os cuidados na Primeira Infância são fundamentais para garantir um desenvolvimento saudável, nos indicando um caminho quando pensamos em crianças pequenas vítimas de violência”, salientou.

A diretora executiva do Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro, destaca a importância dos cuidados na Primeira Infância. “O amor e as experiências positivas nessa fase têm reflexos diretos na plasticidade cerebral. São capazes de desenvolver habilidades e de diminuir a marginalização, a repetência escolar, a drogadição, a gravidez na adolescência e o subemprego, proporcionando o desenvolvimento pleno da criança”, conclui.