Pesquisas em COVID-19

Um dos maiores desafios na atual pandemia é que os detalhes sobre o SARS-CoV-2 foram sendo descobertos ao mesmo tempo em que se tentava combater a sua proliferação. Nos primeiros meses de 2020, pouco se sabia acerca de questões fundamentais da COVID-19. Vários estudos dos quais participaram pesquisadores do Instituto de Pesquisa estão relacionados a desvendar os muitos mistérios por trás do vírus.

Uma das primeiras grandes questões era entender por que a doença também atingia de maneira grave, até mesmo fatal, uma parcela da população que não era idosa nem tinha comorbidades. Um dos artigos com participação de pesquisadores do Instituto discutiu, por exemplo, o papel dos diferentes perfis de resposta imunológica tanto na suscetibilidade de alguns indivíduos ao coronavírus quanto no agravamento da doença. O projeto é parte de um esforço que envolve pesquisadores do mundo todo, o COVID Human Genetic Effort; no Brasil, foi cocoordenado por uma cientista do Instituto de Pesquisa. 

Outro artigo fez revisão da literatura publicada sobre a COVID-19 para entender como a resposta imunológica influencia a reação dos indivíduos à doença. Descobriu-se, por exemplo, que uma baixa contagem de linfócitos e de células-T (fundamentais para o sistema imunológico) relacionava-se ao agravamento da enfermidade.

Um aspecto que intrigou a comunidade científica foram as reações gastrointestinais que acometiam algumas pessoas contaminadas. O coronavírus ativo podia, por exemplo, ser detectado em amostras de fezes, levando à hipótese de que haveria transmissão viral pela matéria fecal. Um artigo do Instituto de Pesquisa analisou os efeitos fisiológicos da COVID-19 e discutiu a severidade da doença e sua relação com distúrbios gastrointestinais. 

O Instituto também está envolvido na investigação dos efeitos da COVID-19 no sistema nervoso central, tema que pode ter grandes implicações na assistência médica, pois muitas pessoas continuam a sofrer efeitos neurológicos, neuropsicológicos e cognitivos mesmo após vencerem o vírus. O objetivo é avaliar tais manifestações em pacientes atendidos pelo Serviço de Neurologia do Hospital Pequeno Príncipe.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa estão colaborando com estudos da Rede Genômica Nacional, iniciativa do Instituto para Pesquisa do Câncer (Ipec), localizado em Guarapuava (PR). A rede faz parte dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação em Genômica (NAPI-Genômica), iniciativa lançada pela Fundação Araucária e pela Superintendência-Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) em agosto de 2020. O projeto investiga os fatores genéticos que tornam o indivíduo infectado pelo coronavírus mais ou menos propenso a desenvolver o quadro de maior gravidade da doença e a relação das variantes genéticas do SARS-CoV-2 do Paraná e de São Paulo (em comparação com as mundiais) com os sintomas da doença.

Desenvolvido em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), outro estudo investiga amostras de moléculas e pedaços de tecidos atingidos pelo coronavírus, para buscar relações com questões genéticas em pacientes que morreram em decorrência da COVID-19. Foram utilizadas amostras de biópsias do pulmão de pessoas que foram a óbito no Hospital Marcelino Champagnat, de Curitiba. A pesquisa mostrou diferentes perfis de reação inflamatória, resposta imunológica, suscetibilidade e agravamento do pulmão. Seus resultados já foram publicados.

Outro grupo debruça-se sobre o impacto do processo inflamatório gerado pela infecção com SARS-CoV-2 no desenvolvimento de sequelas crônicas e degenerativas. Detectou-se um maior percentual de pacientes pediátricos com a síndrome inflamatória pós-COVID-19 no Hospital Pequeno Príncipe, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em outros hospitais do Paraná, do Pará e de São Paulo. Interessada em conhecer melhor o problema, uma rede de pesquisa foi criada, reunindo pesquisadores do Instituto de Pesquisa, pediatras do Hospital de Clínicas, do Pequeno Príncipe e do Rio de Janeiro, em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tanto do Rio de Janeiro quanto de Curitiba. O objetivo é estudar especificamente os biomarcadores do processo inflamatório, usando amostras de sangue das crianças e metodologias mais avançadas.

Com foco na segurança dos pacientes, alguns projetos se propõem a estabelecer protocolos de tomografia computadorizada de tórax para avaliação da COVID-19, com dose otimizada de radiação. Assim, é usada apenas a quantidade de radiação necessária para produzir a imagem, diminuindo a exposição ao elemento radioativo.

Por fim, uma equipe está desenvolvendo ferramentas in vitro, como um pulmão artificial 3D, para avaliar candidatos a fármacos contra a COVID-19. 

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